O texto “Natureza Humana: Conhecimento e Saber”, das professoras Aidil Barros e Neide Aparecida Nehfel, procura discutir numa perspectiva científica a natureza cognitiva da produção material e simbólica da existência do ser humano e, como isso ocorre através da elaboração do conhecimento e do saber. Essa reflexão está organizada numa seqüência que inicialmente a percepção das autoras com relação a natureza biológica e cultural dos seres humanos, passando por uma abordagem sobre o conceito de conhecimento, seguido por uma ligação entre a natureza humana e a produção histórica do conhecimento e a divisão deste em seus diversos níveis, concluindo o texto com uma abordagem sobre a relevância destas análises na formação inicial de um estudante de graduação. Com esta estrutura ela traz informações valiosas para o fortalecimento do processo da formação acadêmica como será observado na descrição a seguir.
O homem sendo analisado como um ser essencialmente cognitivo tem sua existência entendida como um processo de interação entre a sua condição biológica e a produção cultural historicamente construída em sociedade. A capacidade que ele possui em estabelecer relações entre o mundo dos objetos concretos (sensível) e os componentes do mundo abstrato (reflexivo) é que o torna único entre os seres existentes no universo, pois, apenas ele é o capaz de dar sentido e significado às ações e relações que materializam a sua existência.
Sendo capaz de produzir e reproduzir culturalmente sua existência, o homem registra suas ações permitindo que elas possam ser aprendidas e transformadas num processo ininterrupto de construção do conhecimento. Este se estabelece como a capacidade humana de relacionar, ordenar e sistematizar ações e sensações que dão significado à reprodução material e simbólica da existência humana e sua vivência em sociedade. Tal reprodução se dá a partir dos desafios e inquietações que vão surgindo nas relações em que os homens vão estabelecendo com o meio natural e social. Produzir conhecimento é antes de tudo dar respostas ordenadas a problemas que desestabilizam a manutenção da vida humana.
Procurando compreender como se processou o surgimento e a reprodução da sua existência, o homem utilizou diversas maneiras para construir respostas a tais indagações ao longo de sua história. Desde as explicações mais remotas nas épocas primitivas e os cultos das forças da natureza, passando pelas explicações mitológicas, religiosas, científicas e ideológicas, os homens vêm construindo saberes e conhecimentos que visam saciar as suas inquietações. Para tanto eles utilizam instrumentos teóricos e práticos como suportes na construção do saber.
Os questionamentos, as respostas e explicações a respeito da reprodução da vida e existência dos homens são histórica e sócio-culturalmente construídas, haja vista, a reprodução da vida humana ganhar sentidos e significados diferentes dentro das diversas civilizações.
Os homens enquanto seres históricos e culturais constroem e reproduzem a sua existência através de um processo de comunicação e produção do conhecimento que relaciona o individuo ao coletivo social a que ele pertence, num diálogo que envolve a prática, a reflexão sobre a mesma, e a intervenção novamente sobre ela com um novo significado. Tal ação demonstra o processo de maturação das relações humanas na produção do conhecimento, sendo possível dividi-la em alguns níveis a partir do seu grau de percepção e complexidade. Dentre os níveis de produção do conhecimento estão o conhecimento sensível ou senso comum, o filosófico, o teológico e o científico.
O conhecimento sensível, também chamado de conhecimento vulgar, é aquele produzido no fazer empírico do cotidiano. Por não possuir m caráter reflexivo e tecnicamente elaborado, é visto como um conhecimento produzido ao acaso, de maneira espontânea, sem a preocupação de buscar a essência da ação. Tal conhecimento possui algumas características que o diferencia dos outros, pois ele é considerado: sensitivo, superficial, subjetivo, destituído de método o assistemático, além de ser impregnado de projeções psicológicas.
O conhecimento filosófico traz como aporte a condição da filosofia como orientadora das indagações que norteiam as ciências, inclusive problematizando a produção do conhecimento e do saber historicamente construídos. A filosofia contemporaneamente visa compreender de modo reflexivo e crítico todos os aspectos da sociedade, sendo estes abordados a partir de uma argumentação lógica imbuída de conflitos e contradições inerentes ao próprio processo de construção do conhecimento. Desse modo, a verdade para o conhecimento filosófico é sempre transitória, cabendo ao investigador ou pesquisador buscar novos ângulos para compreender o conhecimento.
O conhecimento teológico é voltado para compreender a totalidade da relação entre o ser humano e o mundo metafísico, numa busca incessante por encontrar a essência da origem de tudo, com um olhar direcionado para um princípio criador (Deus) externo à sua existência material. É na essência deste ser que se encontra uma lógica para fundamentar a existência do mundo das coisas sensíveis.
O conhecimento científico assim como os demais se propõe a buscar respostas a indagações e fenômenos diversos. Contudo, este se diferencia dos demais por se fundamentar num processo reflexivo mais complexo, elaborado de forma metódica e sistemática, expressão típica e essencial da prática científica. Vale ressaltar, que em muitas ocasiões o proceder científico parte de inquietações trazidas pelo conhecimento sensível, que ao serem assumidos e trabalhados metódica e sistematicamente, ganham um status de objeto científico, exigindo um olhar investigativo mais minucioso e analítico. Para construir e ganhar tal status, o objeto do conhecimento transforma-se num problema específico que exigirá uma metodologia adequada de estudo para atingir os objetivos estabelecidos. Tais condições são pautadas em um processo de ordenação de questionamentos que produzem um caminho a seguir, como pode ser observado nas perguntas a seguir: O que conhecer?; Por que conhecer?; Como conhecer? Com que conhecer?; Em que local conhecer?.
É na objetividade dos resultados que se fundamenta o proceder do conhecimento científico, que para atingir um bom grau de satisfação deve exigir padrões adequados de competência intelectual, de elaboração do raciocínio e de ordenação lógica do pensamento, expressos nos roteiros de estudo e pesquisa e na apresentação dos resultados.
Ao analisar os níveis de produção do conhecimento e os detalhes que caracteriza cada um, o estudante de graduação deve perceber que o ser humano é questionador por natureza, pois, ele nunca está completamente satisfeito com as respostas que encontra para suas indagações, seja no campo material ou simbólico de reprodução da sua existência. Compreendendo essa condição investigativa inata ao ser humano, o graduando deverá assumir uma postura questionadora, atuando como um pesquisador que interage com olhar crítico e metódico perante a realidade que o cerca, sem, contudo perder de vista a sua capacidade de contemplação trazida pela filosofia, pela arte, pela religião, pela tecnologia, e mesmo pela ciência, no processo de construção das relações que constituem o mundo.
Essa ferramenta de interação virtual pretende socializar reflexões sobre o processo de construção das relações sociais registradas pela História enquanto ciência. Ela não possuirá uma segmentação ideológica estrita, pois, pretende estar livre de todas as amarras que limitam a expressão do pensar humano.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Uma resenha do texto Métodos e Técnicas de Pesquisa Social do professor Antonio Carlos Gil
O Professor Antonio Carlos Gil possui graduação em Bacharelado em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (1971), graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras ´Professor Carlos Pasquale´ (1976), graduação em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Medianeira (1978), mestrado em Ciência Política e Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1978), doutorado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1982), doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1998) e Atualmente é parecerista - Revista de Administração Mackenzie e professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.
Antonio Carlos Gil propõe como discussão central em seu texto “Natureza da Ciência Social”, uma reflexão sobre as formas de produção do conhecimento e suas divisões. Tal discussão é promovida levando-se em consideração a capacidade do ser humano em desenvolver habilidades explicativas da sua interação com o ambiente natural e social, ao mesmo tempo em que estas explicações ganham formas diversas de apresentação, por meio das crenças religiosas, das produções de ficção da literatura, da produção de normas e procedimentos, das abstrações filosóficas e das formas experimentais da ciência. Estas últimas são colocadas por Gil como uma das formas mais seguras de obtenção do conhecimento no mundo contemporâneo.
Ao apresentar a etimologia do conceito de ciência como sinônimo de conhecimento, o autor faz algumas ressalvas, pois, ele afirma que nem todo conhecimento é ciência, como o conhecimento vulgar, o religioso e mesmo o filosófico. Para ele o conceito de ciência é passível de múltiplas interpretações, contudo, é possível chegar a uma formalização adequada do mesmo, tomando-o como uma forma de produção do conhecimento que se utiliza de uma linguagem específica para demonstrar leis que regem os fenômenos.
O conceito de ciência é definido por uma série de características que o identifica como uma forma específica de produção do conhecimento, sendo ele objetivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível. É a partir destas características que se produz e o referencial que distingue o que é assumido enquanto conhecimento científico e o que ainda se encontra no âmbito das especulações filosóficas. Segundo Antonio Carlos Gil é, sobretudo, no campo das ciências humanas que essa dicotomia se acirra.
Para esclarecer a dicotomia entre o a produção ou não do conhecimento enquanto científico ou filosófico, o autor apresenta como argumento a criação dos sistemas de classificação das ciências. Ele ressalta que nenhum dos sistemas de classificação consegue ser completamente satisfatório, porém, atuam como guias para promover as distinções necessárias dos campos de atuação das ciências. Dentre as formas de classificação da ciência, apresenta-se num primeiro momento a divisão que traz duas categorias, sendo uma conhecida como formais e trata de entidades ideais e de suas relações com destaque para a Matemática e a Lógica Formal, e a outra conhecida como empíricas que trata de fatos e processos como, por exemplo, a Física, a Química, a Biologia e a Psicologia.
As ciências empíricas são divididas, segundo o autor, em naturais e sociais. As naturais compreendem a Física, a Química, a Astronomia e a Biologia, enquanto dentre as sociais encontram-se a Sociologia, a Antropologia, a ciência Política, a Economia e a História, além da Psicologia, que mesmo possuindo peculiaridades das ciências naturais é classificada como ciência social, pois, ao estudar o comportamento humano parti-se da interação dos indivíduos.
Ao se debruçar especificamente sobre as Ciências Sociais, Antonio Carlos Gil analisa os fatores que distingue e deprecia estas em relação às Ciências Físicas. Para tanto ele apresenta os argumentos que sustentam uma visão que desprestigia as Ciências Sociais e, na seqüência, traz os contra-argumentos que contestam a ausência de cientificidade das mesmas.
Como argumentos contra as Ciências Sociais Gil apresenta a falta de previsibilidade, a impossibilidade de quantificação, a presença do juízo de valor e a inviabilidade da pesquisa experimental. Tais argumentos seguem uma lógica pautada em observações sistemáticas, o que exigirá como contra-argumentos análises que possam o mesmo perfil. Para tanto foi utilizada a estratégia de evidenciar, nas Ciências Naturais, as mesmas fragilidades observadas nas Ciências Sociais. Desta forma pontua-se o questionamento sobre o determinismo absoluto das Ciências Naturais, a constatação da viabilidade em quantificar objetos de estudo das Ciências Sociais, a relevância das questões de valor na promoção do ser humano e por fim a possibilidade de desenvolver experimentos com objetos de estudos que pertençam essencialmente às Ciências Sociais.
Diante da reflexão realizada quanto às formas de produção do conhecimento e suas divisões, Antonio Carlos Gil contribui significativamente para entender a tais relações ao construir uma análise consistente do papel do conhecimento nas suas diversas perspectivas, enfatizando a relevância do processo de sistematização do saber a partir da produção do conhecimento científico. Tal discussão constitui-se como essencial no processo de formação do pensar e do agir dos indivíduos que iniciam a sua formação acadêmica, pois, estes deverão manusear todo um leque de instrumentos teóricos e metodológicos que concorrem para a elaboração sistemática do saber. Sem uma apropriação consistente desses instrumentos, a formação acadêmica perde o sentido de um dos seus pilares mais fortes que é o da pesquisa.
Perante o contexto de busca pela compreensão da relevância na produção do conhecimento científico e suas diversas nuances, pode-se inferir que Antonio Carlos Gil aponta como elemento conclusivo que a produção do conhecimento é uma tarefa especifica do ser humano, e sua produção revela a diversidade de meios e estratégias historicamente construídos por eles para superar as suas carências e deficiências na relação que com o mundo em que vive.
Antonio Carlos Gil propõe como discussão central em seu texto “Natureza da Ciência Social”, uma reflexão sobre as formas de produção do conhecimento e suas divisões. Tal discussão é promovida levando-se em consideração a capacidade do ser humano em desenvolver habilidades explicativas da sua interação com o ambiente natural e social, ao mesmo tempo em que estas explicações ganham formas diversas de apresentação, por meio das crenças religiosas, das produções de ficção da literatura, da produção de normas e procedimentos, das abstrações filosóficas e das formas experimentais da ciência. Estas últimas são colocadas por Gil como uma das formas mais seguras de obtenção do conhecimento no mundo contemporâneo.
Ao apresentar a etimologia do conceito de ciência como sinônimo de conhecimento, o autor faz algumas ressalvas, pois, ele afirma que nem todo conhecimento é ciência, como o conhecimento vulgar, o religioso e mesmo o filosófico. Para ele o conceito de ciência é passível de múltiplas interpretações, contudo, é possível chegar a uma formalização adequada do mesmo, tomando-o como uma forma de produção do conhecimento que se utiliza de uma linguagem específica para demonstrar leis que regem os fenômenos.
O conceito de ciência é definido por uma série de características que o identifica como uma forma específica de produção do conhecimento, sendo ele objetivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível. É a partir destas características que se produz e o referencial que distingue o que é assumido enquanto conhecimento científico e o que ainda se encontra no âmbito das especulações filosóficas. Segundo Antonio Carlos Gil é, sobretudo, no campo das ciências humanas que essa dicotomia se acirra.
Para esclarecer a dicotomia entre o a produção ou não do conhecimento enquanto científico ou filosófico, o autor apresenta como argumento a criação dos sistemas de classificação das ciências. Ele ressalta que nenhum dos sistemas de classificação consegue ser completamente satisfatório, porém, atuam como guias para promover as distinções necessárias dos campos de atuação das ciências. Dentre as formas de classificação da ciência, apresenta-se num primeiro momento a divisão que traz duas categorias, sendo uma conhecida como formais e trata de entidades ideais e de suas relações com destaque para a Matemática e a Lógica Formal, e a outra conhecida como empíricas que trata de fatos e processos como, por exemplo, a Física, a Química, a Biologia e a Psicologia.
As ciências empíricas são divididas, segundo o autor, em naturais e sociais. As naturais compreendem a Física, a Química, a Astronomia e a Biologia, enquanto dentre as sociais encontram-se a Sociologia, a Antropologia, a ciência Política, a Economia e a História, além da Psicologia, que mesmo possuindo peculiaridades das ciências naturais é classificada como ciência social, pois, ao estudar o comportamento humano parti-se da interação dos indivíduos.
Ao se debruçar especificamente sobre as Ciências Sociais, Antonio Carlos Gil analisa os fatores que distingue e deprecia estas em relação às Ciências Físicas. Para tanto ele apresenta os argumentos que sustentam uma visão que desprestigia as Ciências Sociais e, na seqüência, traz os contra-argumentos que contestam a ausência de cientificidade das mesmas.
Como argumentos contra as Ciências Sociais Gil apresenta a falta de previsibilidade, a impossibilidade de quantificação, a presença do juízo de valor e a inviabilidade da pesquisa experimental. Tais argumentos seguem uma lógica pautada em observações sistemáticas, o que exigirá como contra-argumentos análises que possam o mesmo perfil. Para tanto foi utilizada a estratégia de evidenciar, nas Ciências Naturais, as mesmas fragilidades observadas nas Ciências Sociais. Desta forma pontua-se o questionamento sobre o determinismo absoluto das Ciências Naturais, a constatação da viabilidade em quantificar objetos de estudo das Ciências Sociais, a relevância das questões de valor na promoção do ser humano e por fim a possibilidade de desenvolver experimentos com objetos de estudos que pertençam essencialmente às Ciências Sociais.
Diante da reflexão realizada quanto às formas de produção do conhecimento e suas divisões, Antonio Carlos Gil contribui significativamente para entender a tais relações ao construir uma análise consistente do papel do conhecimento nas suas diversas perspectivas, enfatizando a relevância do processo de sistematização do saber a partir da produção do conhecimento científico. Tal discussão constitui-se como essencial no processo de formação do pensar e do agir dos indivíduos que iniciam a sua formação acadêmica, pois, estes deverão manusear todo um leque de instrumentos teóricos e metodológicos que concorrem para a elaboração sistemática do saber. Sem uma apropriação consistente desses instrumentos, a formação acadêmica perde o sentido de um dos seus pilares mais fortes que é o da pesquisa.
Perante o contexto de busca pela compreensão da relevância na produção do conhecimento científico e suas diversas nuances, pode-se inferir que Antonio Carlos Gil aponta como elemento conclusivo que a produção do conhecimento é uma tarefa especifica do ser humano, e sua produção revela a diversidade de meios e estratégias historicamente construídos por eles para superar as suas carências e deficiências na relação que com o mundo em que vive.
Compartilhando leitura da obra Por Uma Outra Globalização do professor Milton santos
Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal
Obra emblemática na construção de um entendimento a respeito do fenômeno da globalização, produzida por um intelectual não pertencente aos países controladores do poder mundial, o texto do Professor Milton Santos se coloca como uma avaliação coerente e independente.
O livro está dividido em seis partes e trinta capítulos, onde o autor afirma, no prefácio escrito por ele mesmo, que “a ênfase central do livro vem da convicção do papel da identidade na produção, disseminação, reprodução e manutenção da globalização atual”.
A primeira parte chamada de Introdução Geral é composta por um capítulo e três subitens. No texto “O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade” é feita uma abordagem com relação à percepção do mundo contemporâneo e a sua produção, que se encontra baseada na “economização e na monetarização da vida social e pessoal” (p18). Diante dessa realidade para o Professor Milton Santos é possível perceber o mundo por três ângulos “O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-los: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização” (p18).
A globalização como uma fábula traz a discussão sobre a força ideológica e os discursos que sustentam a imagem do sistema. São postos como bases desse discurso as idéias do mundo como uma aldeia global e seu encurtamento das distâncias, bem como o fim do Estado. Porém, para Santos, a tentativa de homogeneizar a sociedade com a concepção de aldeia global esconde o acirramento das disputas sociais e econômicas locais. Sobre a morte do estado ele afirma que o mesmo está mais vivo do que nunca, mas, voltado para atender os interesses dos grandes capitalistas. Ao confrontar essas duas formas de perceber o mundo, em que a primeira concorre para afirmar o fim da ideologia, enquanto a segunda procura reafirmar a sua força dentro do processo de massificação dos comportamentos sociais, o autor conclui que “a realização do mundo atual exige como condição essencial o exercício de fabulações” (p19).
Em a globalização como perversidade a discussão perpassa pelos males que afligem as sociedades contemporâneas (desemprego, pobreza, perda da qualidade de vida, queda dos salários, fome, desabrigo, novas enfermidades, mortalidade infantil, desqualificação da educação), associados a reflexos comportamentais e morais como o egoísmo, os cinismos, a corrupção, enquanto resultado da “perversidade sistêmica” sustentada pela concorrência desenfreada trazida pelo processo de globalização.
Ao discorrer sobre a possibilidade da construção de “uma outra globalização”, Santos defende que ela ocorra sobre as mesmas bases materiais que se constitui a atual, contudo, direcionada a outros objetivos e fundamentos sociais e políticos. Desse modo, ocorreram mudanças no plano material e discursivo permitindo “conhecer as possibilidades existentes e escrever uma nova história” (p.21).
A segunda parte “A Produção da Globalização” se compõe de uma introdução e seis subitens. Na introdução aparece a discussão sobre o processo histórico que põe o avanço da técnica e da política como elementos definidores da história. No tocante à globalização, apresentada de certa forma como “o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista” (p.23), tem a sua estrutura definida em quatro pilares: a unicidade da técnica, a convergência dos momentos, a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na história. A unicidade da técnica demonstra como ocorre a transformação no padrão tecnológico na produção da vida material das sociedades e como as mesmas definem uma hierarquia social a partir da aquisição destas técnicas pelos indivíduos. A convergência dos momentos retrata o processo de unificação do tempo e do espaço na concretização da vida material, ou seja, a quase instantaneidade do acesso à informação cria a impressão de que há uma conexão em tempo real a nível mundial permitindo que as sociedades não parem de produzir. O motor único da história converge para uma explicação de como a engrenagem das relações de produção se põe em movimento, definindo uma mais-valia universal nessa condição de força motriz que integra todos os mercados numa relação de competitividade ininterrupta. A cognoscibilidade do planeta se apresenta como a “possibilidade de conhecer o planeta extensiva e aprofundadamente” (p.31) a partir da contribuição do desenvolvimento técnico-científico aprimorado pelas grandes empresas, com o objetivo de ampliar a dominação dos mercados e por conseqüência adquirir a hegemonia do poder no momento histórico atual.
A discussão da segunda parte se encerra com uma reflexão sobre a história do capitalismo e a forma como ela se divide entre períodos e crises. Neste ponto, a globalização se diferencia por ser composta, segundo o autor, de períodos e crises ao mesmo tempo, o seja, como afirma Santos “o período atual escapa a essa característica porque ele é ao mesmo tempo, um período e uma crise, isto é, a presente fração do tempo histórico constitui uma verdadeira superposição entre período e crise, revelando características de ambas essas situações” (p.33). As crises são colocadas como fenômenos permanentes, acontecendo em níveis locais e globais, sendo elas uma crise estrutural, que deve ser enfrentada como tal e não de maneira pontual.
Em “Uma Globalização Perversa”, terceira parte do livro, o tema encontra-se dividido em uma introdução acompanhada por mais seis capítulos. Na introdução são retomados temas já abordados nas duas outras partes, apontando para uma discussão em torno das bases ideológicas que sustentam a globalização, como a tirania do dinheiro e da informação, ou seja, a força desempenhada pelo sistema financeiro e pelas empresas de comunicação no controle da sociedade contemporânea. Tal reflexão foi sendo ampliada ao longo do primeiro capítulo da terceira parte, trazendo como dado o papel da publicidade neste contexto. Para o fortalecimento da globalização enquanto sistema foi necessário a construção de um discurso que fundamentasse toda uma forma de pensar e agir baseada no consumo e no controle social. Desse modo a informação apresenta-se com duas obrigações, que é instruir e convencer. Diante desta condição ocupada pela informação, a publicidade passou a ocupar um lugar estratégico essencial para as empresas que buscam a hegemonia do mercado, assim “as empresas não podem existir sem publicidade, que se tornou o nervo do comércio” (p40).
No segundo capítulo foram discutidas as relações de competitividade, de consumo, a confusão dos espíritos e o globalitarismo. A competitividade é posta como sucessora da competição, porém, sua ação se sustenta na violência da guerra e nos individualismos em todos os aspectos da sociedade, da economia às relações territoriais e pessoais. O consumo é tido como o déspota que controla a vontade das pessoas, trazendo ele a publicidade como uma arma infalível para alcançar os seus objetivos, haja vista, a publicidade criar as necessidades de consumo mesmo antes da existência dos produtos, assim “um dado essencial do entendimento do consumo é que a produção do consumidor, hoje, precede à produção dos bens e dos serviços” (p.48). No item sobre a confusão dos espíritos analisa-se o papel do discurso na produção da existência das coisas, afirmando o papel da ideologia nesse processo, enfatizando a participação dos “homens do marketing e do designe ao serviço do mercado” (p.50). No tocante ao globalitarismo a ênfase recai sobre os instrumentos de controle social associados aos discursos aceitos como os fundamentos da sociedade democrática e, como estes, contribuem para a instalação de uma sociedade baseada na competitividade e no salve-se-quem-puder.
O capítulo a “Violência estrutural a perversidade sistêmica”, faz uma abordagem sobre os valores éticos e políticos que norteia a sociedade globalizada, avaliando como se encontra a violência, que deixou de ser pontual e passou a ser estrutural, compondo uma perversidade inerente ao sistema global por meio da competitividade. Aqui é reafirmado mais uma vez o papel do dinheiro, da competitividade e do poder como os pilares materiais e ideológicos que controlam o comportamento social dentro da globalização. O dinheiro aparece como regulador da vida individual junto com o consumo, a competitividade se funda na quebra dos valores morais para uma vitória a qualquer preço, enquanto a tomado do poder se garante pela utilização da força e da violência. Esses elementos juntamente com outros aspectos como a fome, o desemprego, os desabrigados, o empobrecimento, concorrem para a composição da “perversidade sistêmica”, desse modo “a perversidade deixa de se manifestar por fatos isolados, atribuídos a distorções da personalidade, para se estabelecer como um sistema” (p.60).
“Da política dos Estados à política das empresas” traz como discussão o processo de enfraquecimento pelo qual passou os Estados com relação ao poder de influência e de manipulação possuído pelas mega empresas. O Estado foi perdendo força diante da força que as grandes empresas foram acumulando por meio do controle do desenvolvimento tecnológico e seu domínio sobre a informação e o dinheiro, gerando novas relações sociais entre os países, classes e pessoas. Com o fortalecimento das empresas, o Estado passou a direcionar a atenção para a manutenção dessa nova realidade omitindo-se quanto a situação das camadas populares da sociedade.
No capítulo “Em meio século, três definições da pobreza”, analisa-se como a pobreza se constituiu ao longo das relações sociais historicamente estabelecidas, ponderando-se a sua divisão em três formas de pobreza. A pobreza “incluída” seria aquela pontual, produzida num lugar sem espalhar-se para outros e, causada pela inadaptação às condições naturais e sociais de sobrevivência. No item A marginalidade a pobreza é tratada como uma doença da civilização advinda do processo econômico, que deverá ser tratada por ser considerada indesejável por governos e intelectuais. Em A pobreza estrutural globalizada esse fenômeno é colocado como conseqüência de uma série de ações interligadas, que produzem juntas a precarização das condições materiais de sobrevivência, criada e mantida “politicamente pelas empresas e instituições globais” (p.73). Com referência a O papel dos intelectuais as ponderações convergem para a substituição destes por letrados, ou seja, a substituição de estudiosos preocupados em buscar explicações e soluções estruturais, por indivíduos voltados a no máximo oferecer sugestões pontuais para a resolução dos problemas.
O capítulo “O que fazer com a soberania” trata das relações de poder estabelecidas entre as mega empresas e os Estados Nacionais soberanos. Aqui se pontua que a soberania deve ser reavaliada e o Estado deve assumir o controle das relações, pois a ele cabe criar as condições que irão sustentar as ações das grandes empresas, cabe ao Estado definir e controlar as regras.
A quarta parte tem como título “O Território do dinheiro e da fragmentação” e visa a debater a condição do espaço geográfico dentro da globalização. Assim como os demais assuntos já abordados, a discussão gira em torno das formas de controle e seus agentes controladores tomando como referência, o papel do dinheiro nesse controle.
No capítulo “O espaço geográfico: compartimentação e fragmentação” aparece a reflexão em torno da divisão do espaço geográfico ao longo da história a ponto de hoje a totalidade territorial do globo está inteiramente ocupada politicamente, ou seja, todos os espaços pertencem a uma ou outra nação ou empresa e está sob seu controle. No item A compartimentação: passado e presente são apresentados exemplos de divisão do espaço geográfico em algumas regiões do planeta e seu processo de fragmentação. Em Rapidez, fluidez, fragmentação apresenta a rapidez com que ocorrem os processos sociais mediados pela tecnologia, principalmente, pela tecnologia da informação. Competitividade versus solidariedade trata das modificações ocorridas no plano das relações sociais advindas da influência das grandes empresas suas metas e objetivos buscando o controle social.
No capítulo A Agricultura científica globalizada e a alienação do território o debate gira em torno novamente do avanço tecnológico e sua difusão, agora no âmbito da agricultura, que passou a ser vista num patamar de produção planetária, regida por leis de mercado globais. No item A demanda externa de racionalidade a tecnologia e seus ganhos são ainda as referências, pois, a agricultura que se tornou científica, passou a exigir os componentes tecnológicos conjugados à sua modernização. Em A cidade do campo ocorre a discussão da inter-relação das relações sociais e produtivas estabelecidas entre o campo e a cidade, diante de uma realidade globalizada.
O capítulo Compartimentação e fragmentação do espaço: o caso do Brasil traz uma reflexão a respeito das condições em que foi ocorrendo o processo de modernização da agricultura no país e sua relação com o avanço da globalização, tomando como exemplo algumas áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste brasileiro. No item O papel das lógicas exógenas a dependência das influências e lógicas externas à área de produção, demonstra como o processo de modernização rompe as fronteiras geográficas que de determinam as relações de produção, ligando-as ao contexto do mercado globalizado. Contudo, em As dialéticas endógenas, aparecem as contradições internas desses territórios, muito mais ligados às questões políticas do que as técnicas.
O território do dinheiro discute as relações internas de territorialidade e o conflito estabelecido entre os estados e municípios com o governo federal com relação aos problemas financeiros, mostrando a dificuldade enfrentada pelo governo federal com o atual modelo de federação. No item Definições são trazidos alguns conceitos para reflexão, sendo o de território e o de dinheiro os mais relevantes: “O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence” (p.96); “O dinheiro é uma invenção da vida de relações e aparece como decorrência de uma atividade econômica para cujo intercambio o simples escambo já não basta” (p.97). Em O dinheiro da globalização aparece a face fluída do dinheiro, aquele que circula o mundo rapidamente e sem destino certo, ou seja, voltado para a obtenção de lucro no mercado financeiro, superando as territorialidades geográficas. Situações regionais traz o exemplo de uma tentativa em contrapor essa fluidez do dinheiro com a montagem dos blocos econômicos regionais, tendo como expoente o Mercado Comum Europeu, constituído no longo processo após a 2ª Guerra Mundial. Efeitos do dinheiro global reforça a tese de que ao mesmo tempo em que o Estado Federal se alinha com as diretrizes externas do capital global, os estados e os municípios sofrem os impactos com a ausência de recursos para resolver os seus problemas locais. A questão que encerra este capítulo, presente no item epílogo é a de “reconstruir a federação para servir melhor ao dinheiro ou para atender à população?” (p.105) ao que o autor responde que no Brasil foi escolhida a primeira opção.
Verticalidades e horizontalidades é um capitulo que visa rediscutir o tema da natureza do espaço. No item As verticalidades o território aparece como um espaço de fluxos, composto por redes produtivas que são organizadas numa perspectiva de cima para baixo, controladas pelas grandes empresas, chamadas de macroatores. Nessa conjuntura, há uma superioridade dos interesses particulares sobre os públicos, com o controle e as influências vindos de fora. Em As horizontalidades ocorre o oposto, e as suas relações se fortalecem nas brechas dos fluxos verticais sendo influenciada pelo espaço geográfico local. A busca de um sentido aprofunda a discussão sobre as verticalidades e horizontalidades, mostrando as múltiplas temporalidades contidas nesta última apontando para a retomada da Política como meio para reajustar as relações sociais em ambientes específicos. A esquizofrenia do espaço analisa a ambigüidade e contradições vivenciadas pelos indivíduos que buscam ao mesmo tempo manter as raízes de identidade com o lugar e ao mesmo tempo se tornar um cidadão do mundo, realizando o mesmo à sua maneira.
A parte cinco Limites à globalização perversa traz na introdução as brechas e as contradições contidas na globalização, que permitem vislumbrar horizontes de possibilidades dentro deste sistema considerado estruturalmente perverso. Tais horizontes aparecem na ineficiência da globalização em resolver problemas sociais graves, citados anteriormente, por meio do desenvolvimento da tecnologia. Esta ineficiência tem gerado uma tomada de consciência, principalmente no tocante à escassez de consumo por parte de um grande número de indivíduos. Em A variável ascendente aparece o desencanto com o avanço técnico e a impossibilidade de acesso ao mesmo, como um momento de reflexão e conscientização para a construção de um novo momento histórico advindos das fragmentações e particularismos existentes na própria globalização.
Os Limites da racionalidade dominante critica a hegemonia da razão, ou da racionalidade construída nos pilares do capitalismo. A superação dessa racionalidade permite o surgimento das contra-racionalidades com a retomada da participação dos pobres no processo de reconstrução dos referencias que balizaram a sociedade.
O Imaginário da velocidade afirma a inexistência dessa suposta velocidade produtiva baseada no avanço da técnica, pois, tal velocidade só existiria para um número muito pequeno de empresas, vivendo a maioria da população de outra forma. Velocidade: técnica e poder propõe que a velocidade é política e não técnica, pois, a escolha depende do poder possuído pelos agentes. Do relógio despótico às temporalidades divergentes propõe reavaliar o sistema técnico hegemônico e com base nisso retomar o curso da história colocando o homem no centro da sua produção.
Just-in-time versus o cotidiano compara o tempo da produção econômica racional com as relações estabelecidas no cotidiano, mostrando a multiplicidade das potencialidades deste em relação à aquela, na construção de significados das relações sociais.
Um emaranhado de técnicas: o reino do artifício e da escassez traz em seu item Do artifício à escassez a retomada da discussão do papel da técnica na construção da sociedade globalizada com sua força excludente no processo de produção e consumo, através da desigualdade na distribuição, o que cria uma escassez contraposta pela criação ininterrupta de necessidades. A relação dos não-possuidores com essas necessidades de consumo é conflituosa. Em Da escassez ao entendimento apresenta-se a possibilidade da tomada de consciência a partir da insatisfação na aquisição dos desejos criados, e não realizados, pelo mercado e pela publicidade.
Papel dos pobres na produção do presente e do futuro é um capítulo que visa refletir a participação dessa parcela da população mundial, na produção material da vida. A discussão inicia-se com a diferenciação entre miséria e pobreza, sendo a primeira colocada como a privação total dos bens, enquanto a segunda é uma situação de carência, mas também de luta. Os pobres encontram formas de resistência ao processo de exclusão e reinventam seu cotidiano produtivo gerando solução para as sãs dificuldades.
A metamorfose das classes médias promove uma descrição da constituição dessa classe no Brasil, inicialmente nos anos 1980 e em seguida nos fins dos anos 1990. O primeiro momento, discutido no item A idade do ouro retrata a sua ascensão social e a estabilização de um padrão de vida que se torno referência de qualidade e segurança. O segundo, tratado no item A escassez chega às classes médias, demonstra como a instabilidade econômica provoco modificações em se padrão de vida e, coloco em xeque a segurança e a sua qualidade de vida a partir do momento em que ela não mais consegue acompanhar o padrão de consumo definido pelo mundo globalizado. A queda no padrão de vida das classes médias gerou modificações na sua relação com a política, como traz o item Um dado novo na política, sendo ela colocada como um ator importante na redefinição do projeto político do país através dos partidos populares e sua união com os pobres.
A última parte do livro, intitulado A Transição em Marcha, se propõe a mostrar as possibilidades viáveis de construção de uma outra globalização. Desse modo, na introdução do capítulo aparece a afirmação dos movimentos e das mudanças que podem ocorrer na historia a partir da construção de novos referências e padrões de vida a seguir, nos aspectos técnicos e políticos. No capítulo Cultura popular, período popular a discussão gira em torno da dicotomia existente entre a cultura de massas e a cultura popular, onde a primeira propõe uma homogeneização da produção cultural, enquanto a segunda permite uma maior diversificação devido estar fundamentada nas pequenas territorialidades. No item Cultura de massas, cultura popular, é retomada a discussão sobre a disputa existente entre as das formas de expressão cultural, a popular e a de massas, mostrando como a cultra popular utiliza de intrumentos da de massa para promover a sua reafirmação. As condições empíricas de mutação traz à tona a temática da reemergência das massas para o processo de construção de uma possível nova realidade histórica. A precedência do homem e o período popular propõe recolocar o homem no centro das ações de reconstrução do processo histórico, o que possibilitará a reavaliação dos princípios morais que norteiam as relações sociais do mundo contemporâneo.
No capítulo A Centralidade da periferia a discussão perpassa pelo lugar ocupado pelas economias dos países ao longo dos continentes, analisando o poder ocupado por eles em relação às tomadas de decisão e controle da produção. No item O desafio ao Sul são avaliadas as condições dos países subdesenvolvidos diante dessa realidade, bem como o seu papel numa possível reestruturação do sistema.
Em A nação ativa, a nação ativa distingue-se a participação econômica de uma nação em ativa e passiva a partir das prioridades estabelecidas no seu projeto político, ou seja, a sua vinculação e priorização com o mercado interno o externo e quem balizará se ela é ativa o passiva diante do mercado mundial. A nação ativa prioriza a vinculação com o mercado externo, enquanto a ativa com o mercado interno e suas potencialidades diversificadas.
Em A globalização atual não é irreversível, a analise recai sobre as bases materiais de produção da historia e a avaliação das possibilidades de construção de uma nova realidade iniciando com a reformulação da ideologia que define o processo da globalização como irreversível. Constatando que uma nova realidade é possível cria-se a possibilidade do ressurgimento das utopias reafirmando que a história não acabou, pois, acredita-se que a construção de um novo mundo ainda possível.
No ultimo capítulo A história apenas começa, a humanidade é apresentada como um bloco revolucionário capaz de transformar a sua existência por meio das trocas da saberes ininterruptos ocorridos na interação dos povos ao longo dos processo históricos de formação.
Obra emblemática na construção de um entendimento a respeito do fenômeno da globalização, produzida por um intelectual não pertencente aos países controladores do poder mundial, o texto do Professor Milton Santos se coloca como uma avaliação coerente e independente.
O livro está dividido em seis partes e trinta capítulos, onde o autor afirma, no prefácio escrito por ele mesmo, que “a ênfase central do livro vem da convicção do papel da identidade na produção, disseminação, reprodução e manutenção da globalização atual”.
A primeira parte chamada de Introdução Geral é composta por um capítulo e três subitens. No texto “O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade” é feita uma abordagem com relação à percepção do mundo contemporâneo e a sua produção, que se encontra baseada na “economização e na monetarização da vida social e pessoal” (p18). Diante dessa realidade para o Professor Milton Santos é possível perceber o mundo por três ângulos “O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-los: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização” (p18).
A globalização como uma fábula traz a discussão sobre a força ideológica e os discursos que sustentam a imagem do sistema. São postos como bases desse discurso as idéias do mundo como uma aldeia global e seu encurtamento das distâncias, bem como o fim do Estado. Porém, para Santos, a tentativa de homogeneizar a sociedade com a concepção de aldeia global esconde o acirramento das disputas sociais e econômicas locais. Sobre a morte do estado ele afirma que o mesmo está mais vivo do que nunca, mas, voltado para atender os interesses dos grandes capitalistas. Ao confrontar essas duas formas de perceber o mundo, em que a primeira concorre para afirmar o fim da ideologia, enquanto a segunda procura reafirmar a sua força dentro do processo de massificação dos comportamentos sociais, o autor conclui que “a realização do mundo atual exige como condição essencial o exercício de fabulações” (p19).
Em a globalização como perversidade a discussão perpassa pelos males que afligem as sociedades contemporâneas (desemprego, pobreza, perda da qualidade de vida, queda dos salários, fome, desabrigo, novas enfermidades, mortalidade infantil, desqualificação da educação), associados a reflexos comportamentais e morais como o egoísmo, os cinismos, a corrupção, enquanto resultado da “perversidade sistêmica” sustentada pela concorrência desenfreada trazida pelo processo de globalização.
Ao discorrer sobre a possibilidade da construção de “uma outra globalização”, Santos defende que ela ocorra sobre as mesmas bases materiais que se constitui a atual, contudo, direcionada a outros objetivos e fundamentos sociais e políticos. Desse modo, ocorreram mudanças no plano material e discursivo permitindo “conhecer as possibilidades existentes e escrever uma nova história” (p.21).
A segunda parte “A Produção da Globalização” se compõe de uma introdução e seis subitens. Na introdução aparece a discussão sobre o processo histórico que põe o avanço da técnica e da política como elementos definidores da história. No tocante à globalização, apresentada de certa forma como “o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista” (p.23), tem a sua estrutura definida em quatro pilares: a unicidade da técnica, a convergência dos momentos, a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na história. A unicidade da técnica demonstra como ocorre a transformação no padrão tecnológico na produção da vida material das sociedades e como as mesmas definem uma hierarquia social a partir da aquisição destas técnicas pelos indivíduos. A convergência dos momentos retrata o processo de unificação do tempo e do espaço na concretização da vida material, ou seja, a quase instantaneidade do acesso à informação cria a impressão de que há uma conexão em tempo real a nível mundial permitindo que as sociedades não parem de produzir. O motor único da história converge para uma explicação de como a engrenagem das relações de produção se põe em movimento, definindo uma mais-valia universal nessa condição de força motriz que integra todos os mercados numa relação de competitividade ininterrupta. A cognoscibilidade do planeta se apresenta como a “possibilidade de conhecer o planeta extensiva e aprofundadamente” (p.31) a partir da contribuição do desenvolvimento técnico-científico aprimorado pelas grandes empresas, com o objetivo de ampliar a dominação dos mercados e por conseqüência adquirir a hegemonia do poder no momento histórico atual.
A discussão da segunda parte se encerra com uma reflexão sobre a história do capitalismo e a forma como ela se divide entre períodos e crises. Neste ponto, a globalização se diferencia por ser composta, segundo o autor, de períodos e crises ao mesmo tempo, o seja, como afirma Santos “o período atual escapa a essa característica porque ele é ao mesmo tempo, um período e uma crise, isto é, a presente fração do tempo histórico constitui uma verdadeira superposição entre período e crise, revelando características de ambas essas situações” (p.33). As crises são colocadas como fenômenos permanentes, acontecendo em níveis locais e globais, sendo elas uma crise estrutural, que deve ser enfrentada como tal e não de maneira pontual.
Em “Uma Globalização Perversa”, terceira parte do livro, o tema encontra-se dividido em uma introdução acompanhada por mais seis capítulos. Na introdução são retomados temas já abordados nas duas outras partes, apontando para uma discussão em torno das bases ideológicas que sustentam a globalização, como a tirania do dinheiro e da informação, ou seja, a força desempenhada pelo sistema financeiro e pelas empresas de comunicação no controle da sociedade contemporânea. Tal reflexão foi sendo ampliada ao longo do primeiro capítulo da terceira parte, trazendo como dado o papel da publicidade neste contexto. Para o fortalecimento da globalização enquanto sistema foi necessário a construção de um discurso que fundamentasse toda uma forma de pensar e agir baseada no consumo e no controle social. Desse modo a informação apresenta-se com duas obrigações, que é instruir e convencer. Diante desta condição ocupada pela informação, a publicidade passou a ocupar um lugar estratégico essencial para as empresas que buscam a hegemonia do mercado, assim “as empresas não podem existir sem publicidade, que se tornou o nervo do comércio” (p40).
No segundo capítulo foram discutidas as relações de competitividade, de consumo, a confusão dos espíritos e o globalitarismo. A competitividade é posta como sucessora da competição, porém, sua ação se sustenta na violência da guerra e nos individualismos em todos os aspectos da sociedade, da economia às relações territoriais e pessoais. O consumo é tido como o déspota que controla a vontade das pessoas, trazendo ele a publicidade como uma arma infalível para alcançar os seus objetivos, haja vista, a publicidade criar as necessidades de consumo mesmo antes da existência dos produtos, assim “um dado essencial do entendimento do consumo é que a produção do consumidor, hoje, precede à produção dos bens e dos serviços” (p.48). No item sobre a confusão dos espíritos analisa-se o papel do discurso na produção da existência das coisas, afirmando o papel da ideologia nesse processo, enfatizando a participação dos “homens do marketing e do designe ao serviço do mercado” (p.50). No tocante ao globalitarismo a ênfase recai sobre os instrumentos de controle social associados aos discursos aceitos como os fundamentos da sociedade democrática e, como estes, contribuem para a instalação de uma sociedade baseada na competitividade e no salve-se-quem-puder.
O capítulo a “Violência estrutural a perversidade sistêmica”, faz uma abordagem sobre os valores éticos e políticos que norteia a sociedade globalizada, avaliando como se encontra a violência, que deixou de ser pontual e passou a ser estrutural, compondo uma perversidade inerente ao sistema global por meio da competitividade. Aqui é reafirmado mais uma vez o papel do dinheiro, da competitividade e do poder como os pilares materiais e ideológicos que controlam o comportamento social dentro da globalização. O dinheiro aparece como regulador da vida individual junto com o consumo, a competitividade se funda na quebra dos valores morais para uma vitória a qualquer preço, enquanto a tomado do poder se garante pela utilização da força e da violência. Esses elementos juntamente com outros aspectos como a fome, o desemprego, os desabrigados, o empobrecimento, concorrem para a composição da “perversidade sistêmica”, desse modo “a perversidade deixa de se manifestar por fatos isolados, atribuídos a distorções da personalidade, para se estabelecer como um sistema” (p.60).
“Da política dos Estados à política das empresas” traz como discussão o processo de enfraquecimento pelo qual passou os Estados com relação ao poder de influência e de manipulação possuído pelas mega empresas. O Estado foi perdendo força diante da força que as grandes empresas foram acumulando por meio do controle do desenvolvimento tecnológico e seu domínio sobre a informação e o dinheiro, gerando novas relações sociais entre os países, classes e pessoas. Com o fortalecimento das empresas, o Estado passou a direcionar a atenção para a manutenção dessa nova realidade omitindo-se quanto a situação das camadas populares da sociedade.
No capítulo “Em meio século, três definições da pobreza”, analisa-se como a pobreza se constituiu ao longo das relações sociais historicamente estabelecidas, ponderando-se a sua divisão em três formas de pobreza. A pobreza “incluída” seria aquela pontual, produzida num lugar sem espalhar-se para outros e, causada pela inadaptação às condições naturais e sociais de sobrevivência. No item A marginalidade a pobreza é tratada como uma doença da civilização advinda do processo econômico, que deverá ser tratada por ser considerada indesejável por governos e intelectuais. Em A pobreza estrutural globalizada esse fenômeno é colocado como conseqüência de uma série de ações interligadas, que produzem juntas a precarização das condições materiais de sobrevivência, criada e mantida “politicamente pelas empresas e instituições globais” (p.73). Com referência a O papel dos intelectuais as ponderações convergem para a substituição destes por letrados, ou seja, a substituição de estudiosos preocupados em buscar explicações e soluções estruturais, por indivíduos voltados a no máximo oferecer sugestões pontuais para a resolução dos problemas.
O capítulo “O que fazer com a soberania” trata das relações de poder estabelecidas entre as mega empresas e os Estados Nacionais soberanos. Aqui se pontua que a soberania deve ser reavaliada e o Estado deve assumir o controle das relações, pois a ele cabe criar as condições que irão sustentar as ações das grandes empresas, cabe ao Estado definir e controlar as regras.
A quarta parte tem como título “O Território do dinheiro e da fragmentação” e visa a debater a condição do espaço geográfico dentro da globalização. Assim como os demais assuntos já abordados, a discussão gira em torno das formas de controle e seus agentes controladores tomando como referência, o papel do dinheiro nesse controle.
No capítulo “O espaço geográfico: compartimentação e fragmentação” aparece a reflexão em torno da divisão do espaço geográfico ao longo da história a ponto de hoje a totalidade territorial do globo está inteiramente ocupada politicamente, ou seja, todos os espaços pertencem a uma ou outra nação ou empresa e está sob seu controle. No item A compartimentação: passado e presente são apresentados exemplos de divisão do espaço geográfico em algumas regiões do planeta e seu processo de fragmentação. Em Rapidez, fluidez, fragmentação apresenta a rapidez com que ocorrem os processos sociais mediados pela tecnologia, principalmente, pela tecnologia da informação. Competitividade versus solidariedade trata das modificações ocorridas no plano das relações sociais advindas da influência das grandes empresas suas metas e objetivos buscando o controle social.
No capítulo A Agricultura científica globalizada e a alienação do território o debate gira em torno novamente do avanço tecnológico e sua difusão, agora no âmbito da agricultura, que passou a ser vista num patamar de produção planetária, regida por leis de mercado globais. No item A demanda externa de racionalidade a tecnologia e seus ganhos são ainda as referências, pois, a agricultura que se tornou científica, passou a exigir os componentes tecnológicos conjugados à sua modernização. Em A cidade do campo ocorre a discussão da inter-relação das relações sociais e produtivas estabelecidas entre o campo e a cidade, diante de uma realidade globalizada.
O capítulo Compartimentação e fragmentação do espaço: o caso do Brasil traz uma reflexão a respeito das condições em que foi ocorrendo o processo de modernização da agricultura no país e sua relação com o avanço da globalização, tomando como exemplo algumas áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste brasileiro. No item O papel das lógicas exógenas a dependência das influências e lógicas externas à área de produção, demonstra como o processo de modernização rompe as fronteiras geográficas que de determinam as relações de produção, ligando-as ao contexto do mercado globalizado. Contudo, em As dialéticas endógenas, aparecem as contradições internas desses territórios, muito mais ligados às questões políticas do que as técnicas.
O território do dinheiro discute as relações internas de territorialidade e o conflito estabelecido entre os estados e municípios com o governo federal com relação aos problemas financeiros, mostrando a dificuldade enfrentada pelo governo federal com o atual modelo de federação. No item Definições são trazidos alguns conceitos para reflexão, sendo o de território e o de dinheiro os mais relevantes: “O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence” (p.96); “O dinheiro é uma invenção da vida de relações e aparece como decorrência de uma atividade econômica para cujo intercambio o simples escambo já não basta” (p.97). Em O dinheiro da globalização aparece a face fluída do dinheiro, aquele que circula o mundo rapidamente e sem destino certo, ou seja, voltado para a obtenção de lucro no mercado financeiro, superando as territorialidades geográficas. Situações regionais traz o exemplo de uma tentativa em contrapor essa fluidez do dinheiro com a montagem dos blocos econômicos regionais, tendo como expoente o Mercado Comum Europeu, constituído no longo processo após a 2ª Guerra Mundial. Efeitos do dinheiro global reforça a tese de que ao mesmo tempo em que o Estado Federal se alinha com as diretrizes externas do capital global, os estados e os municípios sofrem os impactos com a ausência de recursos para resolver os seus problemas locais. A questão que encerra este capítulo, presente no item epílogo é a de “reconstruir a federação para servir melhor ao dinheiro ou para atender à população?” (p.105) ao que o autor responde que no Brasil foi escolhida a primeira opção.
Verticalidades e horizontalidades é um capitulo que visa rediscutir o tema da natureza do espaço. No item As verticalidades o território aparece como um espaço de fluxos, composto por redes produtivas que são organizadas numa perspectiva de cima para baixo, controladas pelas grandes empresas, chamadas de macroatores. Nessa conjuntura, há uma superioridade dos interesses particulares sobre os públicos, com o controle e as influências vindos de fora. Em As horizontalidades ocorre o oposto, e as suas relações se fortalecem nas brechas dos fluxos verticais sendo influenciada pelo espaço geográfico local. A busca de um sentido aprofunda a discussão sobre as verticalidades e horizontalidades, mostrando as múltiplas temporalidades contidas nesta última apontando para a retomada da Política como meio para reajustar as relações sociais em ambientes específicos. A esquizofrenia do espaço analisa a ambigüidade e contradições vivenciadas pelos indivíduos que buscam ao mesmo tempo manter as raízes de identidade com o lugar e ao mesmo tempo se tornar um cidadão do mundo, realizando o mesmo à sua maneira.
A parte cinco Limites à globalização perversa traz na introdução as brechas e as contradições contidas na globalização, que permitem vislumbrar horizontes de possibilidades dentro deste sistema considerado estruturalmente perverso. Tais horizontes aparecem na ineficiência da globalização em resolver problemas sociais graves, citados anteriormente, por meio do desenvolvimento da tecnologia. Esta ineficiência tem gerado uma tomada de consciência, principalmente no tocante à escassez de consumo por parte de um grande número de indivíduos. Em A variável ascendente aparece o desencanto com o avanço técnico e a impossibilidade de acesso ao mesmo, como um momento de reflexão e conscientização para a construção de um novo momento histórico advindos das fragmentações e particularismos existentes na própria globalização.
Os Limites da racionalidade dominante critica a hegemonia da razão, ou da racionalidade construída nos pilares do capitalismo. A superação dessa racionalidade permite o surgimento das contra-racionalidades com a retomada da participação dos pobres no processo de reconstrução dos referencias que balizaram a sociedade.
O Imaginário da velocidade afirma a inexistência dessa suposta velocidade produtiva baseada no avanço da técnica, pois, tal velocidade só existiria para um número muito pequeno de empresas, vivendo a maioria da população de outra forma. Velocidade: técnica e poder propõe que a velocidade é política e não técnica, pois, a escolha depende do poder possuído pelos agentes. Do relógio despótico às temporalidades divergentes propõe reavaliar o sistema técnico hegemônico e com base nisso retomar o curso da história colocando o homem no centro da sua produção.
Just-in-time versus o cotidiano compara o tempo da produção econômica racional com as relações estabelecidas no cotidiano, mostrando a multiplicidade das potencialidades deste em relação à aquela, na construção de significados das relações sociais.
Um emaranhado de técnicas: o reino do artifício e da escassez traz em seu item Do artifício à escassez a retomada da discussão do papel da técnica na construção da sociedade globalizada com sua força excludente no processo de produção e consumo, através da desigualdade na distribuição, o que cria uma escassez contraposta pela criação ininterrupta de necessidades. A relação dos não-possuidores com essas necessidades de consumo é conflituosa. Em Da escassez ao entendimento apresenta-se a possibilidade da tomada de consciência a partir da insatisfação na aquisição dos desejos criados, e não realizados, pelo mercado e pela publicidade.
Papel dos pobres na produção do presente e do futuro é um capítulo que visa refletir a participação dessa parcela da população mundial, na produção material da vida. A discussão inicia-se com a diferenciação entre miséria e pobreza, sendo a primeira colocada como a privação total dos bens, enquanto a segunda é uma situação de carência, mas também de luta. Os pobres encontram formas de resistência ao processo de exclusão e reinventam seu cotidiano produtivo gerando solução para as sãs dificuldades.
A metamorfose das classes médias promove uma descrição da constituição dessa classe no Brasil, inicialmente nos anos 1980 e em seguida nos fins dos anos 1990. O primeiro momento, discutido no item A idade do ouro retrata a sua ascensão social e a estabilização de um padrão de vida que se torno referência de qualidade e segurança. O segundo, tratado no item A escassez chega às classes médias, demonstra como a instabilidade econômica provoco modificações em se padrão de vida e, coloco em xeque a segurança e a sua qualidade de vida a partir do momento em que ela não mais consegue acompanhar o padrão de consumo definido pelo mundo globalizado. A queda no padrão de vida das classes médias gerou modificações na sua relação com a política, como traz o item Um dado novo na política, sendo ela colocada como um ator importante na redefinição do projeto político do país através dos partidos populares e sua união com os pobres.
A última parte do livro, intitulado A Transição em Marcha, se propõe a mostrar as possibilidades viáveis de construção de uma outra globalização. Desse modo, na introdução do capítulo aparece a afirmação dos movimentos e das mudanças que podem ocorrer na historia a partir da construção de novos referências e padrões de vida a seguir, nos aspectos técnicos e políticos. No capítulo Cultura popular, período popular a discussão gira em torno da dicotomia existente entre a cultura de massas e a cultura popular, onde a primeira propõe uma homogeneização da produção cultural, enquanto a segunda permite uma maior diversificação devido estar fundamentada nas pequenas territorialidades. No item Cultura de massas, cultura popular, é retomada a discussão sobre a disputa existente entre as das formas de expressão cultural, a popular e a de massas, mostrando como a cultra popular utiliza de intrumentos da de massa para promover a sua reafirmação. As condições empíricas de mutação traz à tona a temática da reemergência das massas para o processo de construção de uma possível nova realidade histórica. A precedência do homem e o período popular propõe recolocar o homem no centro das ações de reconstrução do processo histórico, o que possibilitará a reavaliação dos princípios morais que norteiam as relações sociais do mundo contemporâneo.
No capítulo A Centralidade da periferia a discussão perpassa pelo lugar ocupado pelas economias dos países ao longo dos continentes, analisando o poder ocupado por eles em relação às tomadas de decisão e controle da produção. No item O desafio ao Sul são avaliadas as condições dos países subdesenvolvidos diante dessa realidade, bem como o seu papel numa possível reestruturação do sistema.
Em A nação ativa, a nação ativa distingue-se a participação econômica de uma nação em ativa e passiva a partir das prioridades estabelecidas no seu projeto político, ou seja, a sua vinculação e priorização com o mercado interno o externo e quem balizará se ela é ativa o passiva diante do mercado mundial. A nação ativa prioriza a vinculação com o mercado externo, enquanto a ativa com o mercado interno e suas potencialidades diversificadas.
Em A globalização atual não é irreversível, a analise recai sobre as bases materiais de produção da historia e a avaliação das possibilidades de construção de uma nova realidade iniciando com a reformulação da ideologia que define o processo da globalização como irreversível. Constatando que uma nova realidade é possível cria-se a possibilidade do ressurgimento das utopias reafirmando que a história não acabou, pois, acredita-se que a construção de um novo mundo ainda possível.
No ultimo capítulo A história apenas começa, a humanidade é apresentada como um bloco revolucionário capaz de transformar a sua existência por meio das trocas da saberes ininterruptos ocorridos na interação dos povos ao longo dos processo históricos de formação.
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