quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Uma resenha do texto Métodos e Técnicas de Pesquisa Social do professor Antonio Carlos Gil

O Professor Antonio Carlos Gil possui graduação em Bacharelado em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (1971), graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras ´Professor Carlos Pasquale´ (1976), graduação em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Medianeira (1978), mestrado em Ciência Política e Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1978), doutorado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1982), doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1998) e Atualmente é parecerista - Revista de Administração Mackenzie e professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Antonio Carlos Gil propõe como discussão central em seu texto “Natureza da Ciência Social”, uma reflexão sobre as formas de produção do conhecimento e suas divisões. Tal discussão é promovida levando-se em consideração a capacidade do ser humano em desenvolver habilidades explicativas da sua interação com o ambiente natural e social, ao mesmo tempo em que estas explicações ganham formas diversas de apresentação, por meio das crenças religiosas, das produções de ficção da literatura, da produção de normas e procedimentos, das abstrações filosóficas e das formas experimentais da ciência. Estas últimas são colocadas por Gil como uma das formas mais seguras de obtenção do conhecimento no mundo contemporâneo.

Ao apresentar a etimologia do conceito de ciência como sinônimo de conhecimento, o autor faz algumas ressalvas, pois, ele afirma que nem todo conhecimento é ciência, como o conhecimento vulgar, o religioso e mesmo o filosófico. Para ele o conceito de ciência é passível de múltiplas interpretações, contudo, é possível chegar a uma formalização adequada do mesmo, tomando-o como uma forma de produção do conhecimento que se utiliza de uma linguagem específica para demonstrar leis que regem os fenômenos.

O conceito de ciência é definido por uma série de características que o identifica como uma forma específica de produção do conhecimento, sendo ele objetivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível. É a partir destas características que se produz e o referencial que distingue o que é assumido enquanto conhecimento científico e o que ainda se encontra no âmbito das especulações filosóficas. Segundo Antonio Carlos Gil é, sobretudo, no campo das ciências humanas que essa dicotomia se acirra.

Para esclarecer a dicotomia entre o a produção ou não do conhecimento enquanto científico ou filosófico, o autor apresenta como argumento a criação dos sistemas de classificação das ciências. Ele ressalta que nenhum dos sistemas de classificação consegue ser completamente satisfatório, porém, atuam como guias para promover as distinções necessárias dos campos de atuação das ciências. Dentre as formas de classificação da ciência, apresenta-se num primeiro momento a divisão que traz duas categorias, sendo uma conhecida como formais e trata de entidades ideais e de suas relações com destaque para a Matemática e a Lógica Formal, e a outra conhecida como empíricas que trata de fatos e processos como, por exemplo, a Física, a Química, a Biologia e a Psicologia.

As ciências empíricas são divididas, segundo o autor, em naturais e sociais. As naturais compreendem a Física, a Química, a Astronomia e a Biologia, enquanto dentre as sociais encontram-se a Sociologia, a Antropologia, a ciência Política, a Economia e a História, além da Psicologia, que mesmo possuindo peculiaridades das ciências naturais é classificada como ciência social, pois, ao estudar o comportamento humano parti-se da interação dos indivíduos.

Ao se debruçar especificamente sobre as Ciências Sociais, Antonio Carlos Gil analisa os fatores que distingue e deprecia estas em relação às Ciências Físicas. Para tanto ele apresenta os argumentos que sustentam uma visão que desprestigia as Ciências Sociais e, na seqüência, traz os contra-argumentos que contestam a ausência de cientificidade das mesmas.

Como argumentos contra as Ciências Sociais Gil apresenta a falta de previsibilidade, a impossibilidade de quantificação, a presença do juízo de valor e a inviabilidade da pesquisa experimental. Tais argumentos seguem uma lógica pautada em observações sistemáticas, o que exigirá como contra-argumentos análises que possam o mesmo perfil. Para tanto foi utilizada a estratégia de evidenciar, nas Ciências Naturais, as mesmas fragilidades observadas nas Ciências Sociais. Desta forma pontua-se o questionamento sobre o determinismo absoluto das Ciências Naturais, a constatação da viabilidade em quantificar objetos de estudo das Ciências Sociais, a relevância das questões de valor na promoção do ser humano e por fim a possibilidade de desenvolver experimentos com objetos de estudos que pertençam essencialmente às Ciências Sociais.

Diante da reflexão realizada quanto às formas de produção do conhecimento e suas divisões, Antonio Carlos Gil contribui significativamente para entender a tais relações ao construir uma análise consistente do papel do conhecimento nas suas diversas perspectivas, enfatizando a relevância do processo de sistematização do saber a partir da produção do conhecimento científico. Tal discussão constitui-se como essencial no processo de formação do pensar e do agir dos indivíduos que iniciam a sua formação acadêmica, pois, estes deverão manusear todo um leque de instrumentos teóricos e metodológicos que concorrem para a elaboração sistemática do saber. Sem uma apropriação consistente desses instrumentos, a formação acadêmica perde o sentido de um dos seus pilares mais fortes que é o da pesquisa.

Perante o contexto de busca pela compreensão da relevância na produção do conhecimento científico e suas diversas nuances, pode-se inferir que Antonio Carlos Gil aponta como elemento conclusivo que a produção do conhecimento é uma tarefa especifica do ser humano, e sua produção revela a diversidade de meios e estratégias historicamente construídos por eles para superar as suas carências e deficiências na relação que com o mundo em que vive.

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